23/10/2007

Bons Amigos

"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direcção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"


Machado de Assis

22/10/2007

Navegador abandonado

Estou aqui, deitado no chão lamacento da margem de um rio que outrora naveguei. Estou ferido e cansado. Fui atirado borda fora de um barco que ajudei a construir com suor. Levanto a cabeça com esforço e vejo ao longe esse barco. Enquanto eu me esvaio em sangue, lutando por manter dentro de mim o sopro da vida, o barco navega nas águas conturbadas de um rio traiçoeiro. Quem se manteve no barco faz navegação à vista... era eu quem conhecia o caminho! Num rio difícil de navegar quem decidiu colocar-me de fora e insistiu em continuar a navegá-lo ignora o abismo para onde se encaminha... Deverei acenar? Deverei avisar e ensinar o caminho? Ou deverei deixar que o barco siga o seu rumo e assistir, sentado na minha margem lamacenta, à queda do barco que foi um sonho, também meu, de onde alguém me expulsou? Uma coisa sei... o barco já não é meu... salve-se quem puder.

Cinzas...

Almas sofrendo
Crepitam ardendo
Num vale tão medonho
O rebentar de um sonho
E ao longe o vento
Murmura a chorar
Que o Sol está a morrer
Que a chama está-se a apagar

O rasgar de um silêncio
Um murmúrio de dor
A solidão, o medo
O arrastar de um temor
Fio de uma lágrima
Que corre para o mar
Deixando nas rochas
O brilho de um olhar

(TMUC)

21/10/2007

Quem sofre?

No meio desta história toda quem sofre? Não falo de mim nem da revolta que me assola, mas das pessoas que me rodeiam. A partilha de uma vida durante muito tempo faz com que se criem coisas em comum. Quando essa partilha acaba o que acontece ao que era comum? Divide-se? Atira-se para o lixo? Ou tenta-se que permaneçam em comum? Seria fácil se falássemos de algo material, mas é diferente quando falamos de pessoas, de amigos. São eles que nos amparam nos momentos maus e se alegram connosco nos bons. Numa situação como esta sofrem porque não é fácil amparar um amigo sem sentirem que traem o outro. Não queria estar na pele deles... Se algo me faz querer permanecer fiel aos meus princípios são eles. Se um amigo meu difamar outro amigo meu vou ficar magoado com o primeiro, por isso aceito que haja pessoas magoadas comigo. Mas não consigo ser racional o suficiente para evitar que a minha dor fale mais alto. Eles ouvem e sofrem pois não podem apoiar-me incondicionalmente... eu também não o faria. Mas se não desabafar com eles desabafo com quem? Será que serão capazes de me dar o desconto e perceber que grande parte do que digo vem da raiva e mágoa que me preenchem? Confio que sim. Mas e se, para além das palavras duras e agrestes eu passasse aos actos? Será que eles aceitariam uma mudança radical de carácter num amigo? Não estaria eu a traí-los? Como reagiriam perante a decepção? Prejudicar um amigo do meu amigo mesmo que não me diga nada poderá ser uma traição à nossa amizade? Estas questões pairam na minha cabeça dia e noite e não se calam. Por um lado o desejo de justiça (ou vingança?!) que, não sendo solução, iriam acalmar, ainda que momentaneamente, a minha dor. Por outro, a ideia abominável de trair a confiança de um amigo. Faça o que fizer... saio a perder! Desaparecer do mapa seria mais fácil, mas covardia também não faz parte dos meus princípios.
Um dia a minha dor vai acalmar e, ao olhar para trás verei as consequências dos meus actos, e terei de viver com elas. A única coisa que tenho medo é de reparar que magoei as pessoas que gostam de mim...

Desistir de ser quem sou?

Sinto-me a desistir. A vontade de fazer valer a velha máxima do "olho por olho, dente por dente" começa a tomar conta do meu ser. Começo a sentir uma vontade enorme de ver as pessoas pagar pelas asneiras que fazem como se a palavra "perdão" tivesse sido banida do dicionário. Por natureza não sou assim. Mas foi esta teimosia em manter princípios que bebi desde a infância que me trouxe até aqui. Tivesse eu conseguido ser um pouco mais egoísta e saberia lidar com isto. Mas não suporto sofrer algo que nunca faria aos outros. E começo a perceber que a vida é uma selva onde só sobrevive quem é forte e frio. Não há lugar para mim aqui. Ou desisto de viver ou torno-me como os outros... Mostrem-me que o Mundo não é assim e desisto de mudar. Caso contrário irei transformar-me em algo que sempre abominei, mesmo sabendo que isso me tornará uma pessoa infeliz e revoltada com o mundo. Como é que alguém consegue repousar sabendo que fez alguém infeliz? Eu não consigo... ainda!

20/10/2007

Passo a passo...

O que sinto? Não sei... ou talvez me custe admitir. Deixaste pegadas profundas em mim, marcas de passos dados lado a lado numa sintonia que parecia perfeita. Essas pegadas são agora difíceis de reconhecer entre outras pegadas, essas errantes e destruidoras. Podias ter deixado de caminhar a meu lado sem destruir o que havia sido construído. Mas preferiste passar por cima delas qual criança que descobre que já pode caminhar sozinha, sem ajuda, e que na ânsia de explorar o mundo dá passos sem rumo não olhando ao que encontra pelo caminho...

Quem foste?... Quem és?

Foste raio de Sol, motor de alegria numa manhã cinzenta, premissa de um dia de Sol. Dia quente e confortável prolongado no tempo. Sintoma natural da natureza cíclica do dia, o Sol deixava de brilhar aqui e ali no tempo, mas sabia sempre que outro dia nasceria, e tu, raio de Sol, lá estarias para me alegrar. Deste-me esperança de uma Primavera eterna... e eu acreditei. Mesmo quando brilhavas mais fraco, acreditei. Mas, sem aviso, transformaste-te em nuvem escura, qual premonição de uma noite tenebrosa. Seria uma nuvem passageira, daquelas que, de tempos em tempos, teimam em cruzar o céu e privar-nos do nosso raio de Sol? Não. Era o anunciar de uma tempestade. O meu raio de Sol tinha-me abandonado, deixando-me à mercê de ventos e aguaceiros. Porquê, raio de Sol? Porquê assim?

19/10/2007

Ainda serei capaz?


Para onde foi a minha vontade de criar coisas como esta... não o faço há tanto tempo que me questiono se ainda serei capaz... Um dia destes voltarei a criar.

Piano

Furacão...


Quando estamos no caminho de um furacão temos tendência para admirar a beleza das forças da Natureza. Mas devemos ter sempre presente o perigo que corremos e tentar abrigar-nos. Se ficarmos impávidos e serenos a admirar o que está perante nós podemos ser apanhados. Eu fui sugado pela tempestade, abanado, bati, magoei-me sem saber bem o que me estava a acontecer. Mas a tempestade passou rumo a outros destinos. Sentado no chão, sofrendo as minhas dores olho à minha volta e vejo o caos. Um rasto de destruição... não fui o único a ser apanhado. Há mais quem sofra e quem já tenha sofrido pois ele vem de longe... deixando marca. E procurando bem, agora que o Sol começa a espreitar, vemos a dimensão dos estragos e, por entre os escombros procuramos refazer a nossa vida desejando não voltar a sofrer o mesmo. Outros furacões virão, é a lei da vida, mas cabe a nós saber evitar os seus efeitos. Eu tento ainda descobrir a dimensão dos estragos... e apetece-me gritar para quem está no seu caminho:"abriguem-se"... mas ninguém me iria ouvir tal o encantamento provocado por um furacão à distância.

18/10/2007

Marcas de carácter...

Quando uma pessoa passa pela nossa vida deixa marca, seja ela boa ou má. O carácter de uma pessoa vê-se pela forma como marca a vida das outras. Basta olhar para trás para nos conhecermos. Um bom exemplo disto surge quando encontramos velhos conhecidos que já não vemos há muito. Será fácil perceber que encaramos um reencontro com um velho conhecido de acordo com o que significava para nós quando perdemos o contacto. De facto, se repararmos na sua reacção perante o reencontro, vamos perceber de que forma marcámos essa pessoa. Se formos tendo atenção a estes pormenores vamos conseguindo perceber o nosso carácter. Por isso digo: eu consigo ver-me ao espelho... e tu, consegues?

If you give up

If you don't wanna wait
you left me inside out
it's too hard for me
there's no easy way out

You don't know and don't ask how
that i'm gonna make it work again
you don't know and don't ask why
that i'm gonna make it once again

If you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?
and if you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?

Distance from between us
that we can't shake out
it's cristal clear
but it ain't gonna last

You don't know and don't ask why
that i'm trying to make it work
i'm trying to make it work

If you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?
and if you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?

Just look around and see
who you really need
who you really want

If you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?
and if you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?

If you give up now, who's gonna lose?
which one of us, is given up now of being free?

Just look around and see
if you give up you won't be free
you won't be free yeah yeah

13/10/2007

wake up call

I didn't hear what you were saying
I live on raw emotion baby
I answer questions never maybe
And I'm not kind if you betray me
So who the hell are you to say we
Never would have made it babe

If you needed love
Well then ask for love
Could have given love
Now I'm taking love
And it's not my fault
Cause you both deserve
What is coming now
So don't say a word

11/10/2007

Estado de espírito

Estranho estado de espírito aquele com que me deparei hoje de manhã. Basicamente um alívio estranho. Afinal para que quero na minha vida uma moeda falsa? Para nada. Uma moeda com duas caras não serve para nada. Mas o alívio maior resulta do facto de descobrir partes de mim que julgava perdidas para sempre. Neste momento reencontrei-me. Sinto-me feliz. A dois passos da felicidade total. Um dos passos que falta, sem prazo para cumprir, é encontrar aquela pessoa que realmente mereça a entrega total de alguém que não sabe amar de outra forma. O outro... bem, o outro vou guardá-lo para mim. Dar-me-á um prazer especial quando se realizar.

08/10/2007

Renascimento parte II

Sinto que esta fénix que tentou renascer das cinzas nasceu com uma qualquer malformação. Sinto que está a morrer. Precisa de renascer de novo. Desta vez com uma força acrescida e novos objectivos e prioridades. Aprendi uma lição sobre sinceridade e honestidade que me vai acompanhar para o resto da vida. A partir de hoje nem em mim vou confiar cegamente... como o posso fazer se arranjei lenha para me queimar. Ah, já percebi... é isso que as fénix fazem!

07/10/2007

Será que sofro de algo parecido com Síndrome de Estocolmo?

Porque será que só eu é que tento minimizar as culpas de quem me magoa?

Perdão. Qual o limite?

Qual é o limite do perdão? Até onde podemos perdoar. Quão grave tem que ser a ofensa para que já não possamos perdoar? Não sei a resposta mas sinto que não consigo...

05/10/2007

A peça q faltava ao puzzle

E enfim... descobri a peça que faltava ao puzzle. Não que eu não a conhecesse já... mas não a queria ver. Mas eis que ela surge mesmo diante dos meus olhos (literalmente). E o puzzle completa-se.
Então, agora que o puzzle está completo... o que fazer? Bem, isso fica para o futuro (próximo).
Uma coisa é certa, estou à beira da explosão. Sempre fui acusado de ser parado e de não exteriorizar os meus sentimentos. Pois bem, alguém conseguiu mexer comigo ao ponto de eu rebentar. Vem aí resposta...

04/10/2007

Ele há coisas fantásticas não há?...

Acreditam em coincidências? Ou são daqueles que acham que tudo acontece por uma razão que foge ao nosso entendimento? Eu não acredito em bruxas... mas elas existem! Quando as coisas ficam duvidosas devemos dar um certo tempo e espaço para que as ideias vão ao lugar e os objectivos sejam definidos. Nada melhor do que uma mudança de ares, uma espécie de vida nova. O futuro decidirá o que for melhor... Mas por vezes acontecem coisas que não conseguimos entender muito bem. Quando queremos os tão aclamados "espaço" e "tempo" e tentamos que eles surjam... o destino ou uma simples coincidência tratam de impedir que, pelo menos, o "espaço" seja efectivo... O que é que falta acontecer?!?!

01/10/2007

Razão de viver...

Sempre procuramos a verdadeira razão para querermos viver. De entre as muitas possibilidades sinto que há uma que pode fazer a diferença entre aguentar firme e desistir de tudo: os amigos. São quem temos mais perto de nós, mesmo que à distância de centenas ou milhares de quilómetros. Tudo pode parecer estar a desabar sobre as nossas cabeças, mas se olharmos para o lado e sentirmos que eles estão lá... tudo é mais fácil. Sinto que para manter uma relação de namoro ou casamento ou de negócios é preciso lutar todos os dias. Só assim se mantém o interesse e só assim faz sentido. Mas numa amizade verdadeira essa luta diária não é necessária. Isto porque não há interesses de parte a parte. Os amigos são amigos e pronto. Apoiam-se mutuamente quando é necessário e não cobram gratidão ou reconhecimento no fim... apoiam-se naturalmente. Por vezes pensamos que estamos a perder os amigos porque estes não estão tão próximos como era costume. Na verdade estão ocupados a lutar por aquilo que é realmente necessário lutar para manter. E também não parecem mais perto porque não pedimos ajuda. Mas quando precisamos deles e pedimos por socorro... o instinto mais básico que está subjacente a uma amizade vem ao de cima... E eis que eles surgem com tudo o que for preciso para nos apoiar e puxar para cima... e não cobram nada em troca!
Então e... quando entre duas pessoas há uma amizade e, também, uma relação daquelas que é preciso lutar para manter... Como se lida com isso? É difícil separar as coisas mas é possível. Eu descobri isso tarde de mais e da pior forma.